Reflexão do Pároco de 23/3/2026

Reflexão do Pároco. Reflexão do Pároco.

Segunda-feira – 5ª Semana da Quaresma
23 de Março de 2026


Leituras do Dia com Resumo
Primeira Leitura – Daniel 13, 41c-62 (Susana)
O episódio de Susana apresenta uma mulher justa, vítima de calúnia e injustiça por parte de dois anciãos corruptos. Diante da pressão para pecar, ela prefere arriscar a própria vida a trair a Deus. Colocando toda a sua confiança no Senhor, Susana é salva, pois Deus suscita o jovem Daniel para revelar a verdade e desmascarar a mentira.
Mensagem: Deus não abandona os justos e faz triunfar a verdade no tempo oportuno.
Salmo Responsorial – Sl 22(23), 1-3a.3b-4.5.6 (R. 4a)
O salmo nos recorda que o Senhor é o nosso pastor, aquele que nos conduz, protege e sustenta em todos os momentos da vida. Mesmo nos vales escuros, não precisamos temer, pois Ele está conosco.
Mensagem: Deus caminha conosco, guia nossos passos e nos dá segurança mesmo nas dificuldades.
Evangelho – João 8, 1-11 (A mulher adúltera)
Os escribas e fariseus apresentam a Jesus uma mulher surpreendida em adultério, querendo condená-la e, ao mesmo tempo, armar uma armadilha contra Ele. Jesus, porém, responde com sabedoria e misericórdia: “Quem não tiver pecado, atire a primeira pedra”. Um a um, os acusadores se retiram. Jesus então diz: “Eu também não te condeno. Vai e não peques mais”.
Mensagem: Jesus revela que a misericórdia de Deus é maior que o pecado e oferece sempre a possibilidade de recomeçar.


Mensagem Central
Deus conhece o coração de cada um, faz justiça aos inocentes e oferece misericórdia aos pecadores arrependidos.
Ele não se deixa enganar pelas aparências: desmascara a mentira, defende o justo e levanta aquele que caiu, convidando-o a uma vida nova.


Homilia (Texto Pastoral – cerca de 2 minutos)
Caros irmãos e irmãs, nesta caminhada da Quaresma, a Palavra de Deus hoje coloca diante de nós duas cenas muito fortes: a inocência de Susana injustamente acusada, e a mulher adúltera colocada diante de Jesus. Em ambas, aparece a mesma verdade: Deus conhece o coração e não abandona quem nele confia.
Na primeira leitura, Susana prefere arriscar a própria vida a trair a sua consciência. Ela não negocia o mal. Mesmo sendo injustiçada, coloca sua vida nas mãos de Deus, e o Senhor a salva, revelando a verdade escondida. Aqui aprendemos que a fidelidade a Deus pode custar caro, mas nunca é em vão.
No Evangelho, vemos uma mulher humilhada, exposta, já condenada pelos homens. Os acusadores estão prontos para apedrejá-la. Mas Jesus muda completamente a situação com uma frase que toca a consciência de todos: “Quem não tiver pecado, atire a primeira pedra”. Um a um, eles vão embora. E fica apenas Jesus e aquela mulher.
Irmãos, aqui está o coração do Evangelho: Deus não nos condena, Deus quer nos salvar. Jesus não diz que o pecado não é grave, mas mostra que a misericórdia é maior que o pecado. Ele não humilha, não acusa, não expõe — Ele levanta, perdoa e oferece um novo começo: “Eu também não te condeno. Vai e não peques mais”.
Quantas vezes nós somos como aqueles acusadores: rápidos para julgar, duros para condenar, cegos para os próprios pecados. E quantas vezes também somos como aquela mulher: frágeis, pecadores, necessitados de misericórdia.
Hoje, Jesus nos convida a duas atitudes muito concretas: examinar a nossa própria consciência e abrir o coração para o perdão de Deus. Só quem se reconhece pecador pode experimentar a alegria de ser perdoado.
Nesta Quaresma, deixemos cair as pedras das nossas mãos — pedras do julgamento, da crítica, da dureza — e deixemos que Jesus toque o nosso coração. Porque onde o pecado parecia vencer, ali brota a misericórdia de Deus, que nos levanta e nos dá uma vida nova.
Amém.


Aplicação Pastoral para a Vida
Neste tempo quaresmal, somos chamados, antes de tudo, a olhar para dentro de nós mesmos. Quantas vezes julgamos os outros com dureza, esquecendo-nos das nossas próprias fraquezas? Jesus nos convida hoje a deixar cair as pedras do julgamento, da crítica e da condenação.
Ao mesmo tempo, a Palavra nos consola: mesmo quando erramos, Deus não desiste de nós. Ele nos oferece o perdão e uma nova oportunidade. Mas esse perdão exige uma resposta: “vai e não peques mais”. Ou seja, é preciso mudar de vida, buscar a conversão sincera.
Por isso, a Igreja nos convida a aproveitar este tempo favorável para fazer um exame de consciência, procurar o sacramento da confissão e recomeçar com humildade e confiança.
Como Susana, aprendamos a confiar em Deus nas dificuldades. Como a mulher do Evangelho, acolhamos a misericórdia de Cristo. E como discípulos, sejamos sinais dessa mesma misericórdia na vida dos outros.
Que nesta Quaresma deixemos Deus transformar o nosso coração.