Sábado, 12ª Semana do Tempo Comum
A Palavra do dia é um podcast diário que propõe leituras de acordo com o calendário litúrgico do Vaticano, acompanhadas por um comentário de um dos Papas mais recentes
Leitura do Dia
Leitura do Livro das Lamentações
2,2.10-14.18-19
O Senhor destruiu sem piedade
todos os campos de Jacó;
em sua ira deitou abaixo
as fortificações da cidade de Judá;
lançou por terra, aviltou
a realeza e seus príncipes.
Sentados no chão,
em silêncio, os anciãos da cidade de Sião
espalharam cinza na cabeça,
vestiram-se de saco;
as jovens de Jerusalém inclinaram a cabeça para o chão.
Meus olhos estão machucados de lágrimas,
fervem minhas entranhas;
derrama-se por terra o meu fel
diante da arruinada cidade de meu povo,
vendo desfalecerem tantas crianças
pelas ruas da cidade.
Elas pedem às mães:
“O trigo e o vinho, onde estão?”
E vão caindo como derrubadas pela morte
nas ruas da cidade,
até expirarem no colo das mães.
Com quem te posso comparar,
ou a quem te posso assemelhar,
ó cidade de Jerusalém?
A quem te igualarei, para te consolar,
ó cidade de Sião?
Grande como o mar é tua aflição;
quem poderá curar-te?
Teus profetas te fizeram ver
imagens falsas e insensatas,
não puseram a descoberto a tua malícia,
para tentar mudar a tua sorte;
ao contrário, deram-te oráculos
mentirosos e atraentes.
Grite o teu coração ao Senhor,
em favor dos muros da cidade de Sião;
deixa correr uma torrente de lágrimas,
de dia e de noite.
Não te concedas repouso,
não cessem de chorar as pupilas de teus olhos.
Levanta-te, chora na calada da noite,
no início das vigílias,
derrama o teu coração, como água,
diante do Senhor;
ergue as mãos para ele,
pela vida de teus pequeninos,
que desfalecem de fome
em todas as encruzilhadas.
Evangelho do Dia
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus
8,5-17
Naquele tempo,
quando Jesus entrou em Cafarnaum,
um oficial romano aproximou-se dele, suplicando:
“Senhor, o meu empregado está de cama, lá em casa,
sofrendo terrivelmente com uma paralisia”.
Jesus respondeu:
“Vou curá-lo”.
O oficial disse:
“Senhor, eu não sou digno de que entres em minha casa.
Dize uma só palavra
e o meu empregado ficará curado.
Pois eu também sou subordinado
e tenho soldados debaixo de minhas ordens.
E digo a um : ‘Vai!’, e ele vai;
e a outro: ‘Vem!’, e ele vem;
e digo ao meu escravo:
‘Faze isto!’, e ele faz”.
Quando ouviu isso, Jesus ficou admirado,
e disse aos que o seguiam:
“Em verdade, vos digo:
nunca encontrei em Israel alguém que tivesse tanta fé.
Eu vos digo:
muitos virão do Oriente e do Ocidente,
e se sentarão à mesa no Reino dos Céus,
junto com Abraão, Isaac e Jacó,
enquanto os herdeiros do Reino
serão jogados para fora, nas trevas,
onde haverá choro e ranger de dentes”.
Então, Jesus disse ao oficial:
“Vai! E seja feito como tu creste”.
E naquela mesma hora o empregado ficou curado.
Entrando Jesus na casa de Pedro,
viu a sogra dele deitada e com febre.
Tocou-lhe a mão, e a febre a deixou.
Ela se levantou, e pôs-se a servi-lo.
Quando caiu a tarde, levaram a Jesus
muitas pessoas possuídas pelo demônio.
Ele expulsou os espíritos, com sua palavra,
e curou todos os doentes,
para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta Isaías:
“Ele tomou as nossas dores
e carregou as nossas enfermidades”.
As palavras dos Papas
O Evangelho de hoje nos fala de serviço, mostrando-nos dois servos, de quem podemos tirar lições valiosas: o servo do centurião, que é curado por Jesus, e o próprio centurião, ao serviço do Imperador. As palavras que manda dizer a Jesus – para não vir a sua casa –, para além de surpreendentes, são muitas vezes o oposto das nossas orações: «Não Te incomodes, Senhor, pois não sou digno de que entres debaixo do meu teto» (…) Jesus fica admirado com tais palavras. Impressiona-Lhe a grande humildade do centurião, a sua mansidão. (…) O centurião, confrontado com o problema que o afligia, teria podido fazer alvoroço pretendendo ser ouvido, fazendo valer a sua autoridade; teria podido convencer com insistência e até forçar Jesus a deslocar-se a casa dele. Em vez disso, faz-se pequeno, discreto, manso, não levanta a voz nem quer incomodar. Comporta-se – talvez sem o saber – segundo o estilo de Deus, que é «manso e humilde de coração» (Mt 11, 29). Com efeito Deus, que é amor, leva o seu amor até ao ponto de nos servir: conosco é paciente, benévolo, sempre disponível e bem disposto, sofre com os nossos erros e procura o caminho para nos ajudar a tornar-nos melhores. Manso e humilde são também os traços do serviço cristão, que é imitar Deus servindo os outros: acolhendo-os com amor paciente, sem nos cansarmos de os compreender, fazendo com que se sintam bem-vindos a casa, à comunidade eclesial, onde o maior não é quem manda, mas quem serve (cf. Lc 22, 26). (Papa Francisco, Homilia de 29 de maio de 2016)
