A Palavra do dia é um podcast diário que propõe leituras de acordo com o calendário litúrgico do Vaticano, acompanhadas por um comentário de um dos Papas mais recentes
Leitura do Dia
Leitura da Profecia de Ezequiel
12,1-12
A palavra do Senhor
foi-me dirigida nestes termos:
“Filho do homem,
estás morando no meio de um povo rebelde.
Eles têm olhos para ver e não veem,
ouvidos para ouvir e não ouvem,
pois são um povo rebelde.
Quanto a ti, Filho do homem,
prepara para ti uma bagagem de exilado,
em pleno dia, à vista deles.
Emigrarás do lugar onde estás,
à vista deles, para outro lugar.
Talvez percebam que são um povo rebelde.
Deverás tirar a bagagem em pleno dia,
à vista deles,
como se fosse a bagagem de um exilado.
Mas deverás sair à tarde, à vista deles,
como quem vai para o exílio.
À vista deles deverás cavar para ti um buraco no muro,
pelo qual sairás;
deverás carregar a bagagem nas costas
e retirá-la no escuro.
Deverás cobrir a face para não ver o país,
pois eu fiz de ti um sinal para a casa de Israel”.
Eu fiz assim como me foi ordenado.
Tirei a bagagem durante o dia,
como se fosse a bagagem de exilado;
à tarde, abri com a mão um buraco no muro.
Saí ao escuro,
carregando a bagagem às costas, diante deles.
De manhã, a palavra do Senhor
foi-me dirigida nestes termos:
“Filho do homem,
não te perguntaram os da casa de Israel,
essa gente rebelde,
o que estavas fazendo?
Dize-lhes:
Assim fala o Senhor Deus:
Este oráculo refere-se ao príncipe de Jerusalém
e a toda a casa de Israel que está na cidade.
Dize:
Eu sou um sinal para vós.
Assim como eu fiz, assim será feito com eles:
irão cativos para o exílio.
O príncipe que está no meio deles
levará a bagagem às costas e sairá ao escuro.
Farão no muro um buraco para sair por ele.
O príncipe cobrirá o rosto
para não ver com seus olhos o país”.
Evangelho do Dia
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus
18,21-19,1
Naquele tempo,
Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou:
“Senhor, quantas vezes devo perdoar,
se meu irmão pecar contra mim?
Até sete vezes?”
Jesus respondeu:
“Não te digo até sete vezes,
mas até setenta vezes sete.
Porque o Reino dos Céus é como um rei
que resolveu acertar as contas com seus empregados.
Quando começou o acerto,
trouxeram-lhe um que lhe devia uma enorme fortuna.
Como o empregado não tivesse com que pagar,
o patrão mandou que fosse vendido como escravo,
junto com a mulher e os filhos
e tudo o que possuía,
para que pagasse a dívida.
O empregado, porém, caiu aos pés do patrão,
e, prostrado, suplicava:
‘Dá-me um prazo! E eu te pagarei tudo’.
Diante disso, o patrão teve compaixão,
soltou o empregado e perdoou-lhe a dívida.
Ao sair dali,
aquele empregado encontrou um dos seus companheiros
que lhe devia apenas cem moedas.
Ele o agarrou e começou a sufocá-lo, dizendo:
‘Paga o que me deves’.
O companheiro, caindo aos seus pés, suplicava:
‘Dá-me um prazo! E eu te pagarei’.
Mas o empregado não quis saber disso.
Saiu e mandou jogá-lo na prisão,
até que pagasse o que devia.
Vendo o que havia acontecido,
os outros empregados ficaram muito tristes,
procuraram o patrão e lhe contaram tudo.
Então o patrão mandou chamá-lo e lhe disse:
“Empregado perverso,
eu te perdoei toda a tua dívida,
porque tu me suplicaste.
Não devias tu também,
ter compaixão do teu companheiro,
como eu tive compaixão de ti?”
O patrão indignou-se
e mandou entregar aquele empregado aos torturadores,
até que pagasse toda a sua dívida.
É assim que o meu Pai que está nos céus
fará convosco,
se cada um não perdoar de coração ao seu irmão”.
Ao terminar estes discursos,
Jesus deixou a Galileia
e veio para o território da Judeia além do Jordão.
As palavras dos Papas
Na parábola, encontramos duas atitudes diferentes: a de Deus – representado pelo rei – que perdoa muito, porque Deus perdoa sempre, e a do homem. Na atitude divina, a justiça está impregnada de misericórdia, enquanto que a atitude humana se limita à justiça. Jesus exorta-nos a abrir-nos corajosamente à força do perdão, porque na vida, sabemos que nem tudo é resolvido pela justiça. Precisamos desse amor misericordioso, que é também a base da resposta do Senhor à pergunta de Pedro que precede a parábola. A pergunta de Pedro soa assim: «Senhor, se o meu irmão me ofender, quantas vezes lhe deverei perdoar?» (v. 21). E Jesus respondeu-lhe: «Não te digo sete vezes, mas setenta vezes sete» (v. 22). Na linguagem simbólica da Bíblia, isto significa que somos sempre chamados a perdoar! Quantos sofrimentos, quantas dilacerações, quantas guerras poderiam ser evitadas, se o perdão e a misericórdia fossem o estilo da nossa vida! Também na família: quantas famílias desunidas que não sabem como se perdoar, quantos irmãos e irmãs que têm esse rancor dentro. É necessário aplicar o amor misericordioso em todas as relações humanas: entre cônjuges, entre pais e filhos, dentro das nossas comunidades, na Igreja e também na sociedade e na política. (Papa Francisco, Angelus de 13 de setembro de 2020)
