Sábado, 1ª Semana da Quaresma
A Palavra do dia é um podcast diário que propõe leituras de acordo com o calendário litúrgico do Vaticano, acompanhadas por um comentário de um dos Papas mais recentes
Leitura do Dia
Leitura do Livro do Deuteronômio
26, 16-19
Moisés dirigiu a palavra ao povo de Israel e lhe disse:
“Hoje, o Senhor teu Deus te manda
cumprir esses preceitos e decretos.
Guarda-os e observa-os
com todo o teu coração e com toda a tua alma.
Tu escolheste hoje o Senhor para ser o teu Deus,
para seguires os seus caminhos,
e guardares seus preceitos, mandamentos e decretos,
e para obedeceres à sua voz.
E o Senhor te escolheu, hoje,
para que sejas para ele
um povo particular,
como te prometeu,
a fim de observares todos os seus mandamentos.
Assim ele te fará ilustre entre todas as nações que criou,
e te tornará superior em honra e glória,
a fim de que sejas o povo santo do Senhor teu Deus,
como ele disse”.
Evangelho do Dia
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus
5,43-48
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos:
“Vós ouvistes o que foi dito:
‘Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo!’
Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos
e rezai por aqueles que vos perseguem!
Assim, vos tornareis filhos
do vosso Pai que está nos céus,
porque ele faz nascer o sol sobre maus e bons,
e faz cair a chuva sobre justos e injustos.
Porque, se amais somente aqueles que vos amam,
que recompensa tereis?
Os cobradores de impostos não fazem a mesma coisa?
E se saudais somente os vossos irmãos,
o que fazeis de extraordinário?
Os pagãos não fazem a mesma coisa?
Portanto, sede perfeitos
como o vosso Pai celeste é perfeito”.
As palavras dos Papas
Exatamente esta página evangélica é considerada a magna charta da não-violência cristã, que não consiste em entregar-se ao mal segundo uma falsa interpretação do “oferecer a outra face” (cf. Lc 6, 29) mas em responder ao mal com o bem (cf. Rm 12, 17-21), quebrando dessa forma a corrente da injustiça. Então, compreende-se que a não-violência para os cristãos não é um mero comportamento táctico, mas um modo de ser da pessoa, uma atitude de quem está tão convicto do amor de Deus e do seu poder, que não tem medo de enfrentar o mal somente com as armas do amor e da verdade. O amor ao inimigo constitui o núcleo da “revolução cristã”, uma revolução baseada não em estratégias de poder económico, político ou mediático. A revolução do amor, um amor que definitivamente não se apoia nos recursos humanos, mas é dom de Deus que se obtém confiando unicamente e sem reservas na sua bondade misericordiosa. Eis a novidade do Evangelho, que muda o mundo sem fazer rumor. Eis o heroísmo dos “pequenos”, que crêem no amor de Deus e o difundem até à custa da vida.
(Papa Bento XVI, Angelus de 18 de fevereiro de 2007)
