V Semana – Segunda-feira – Tempo Comum – Anos Pares
09 de janeiro de 2026
“Jesus curava a todos os que O procuravam” (Mc 6,53-56)
Leituras do Dia (com breve resumo)
Primeira Leitura – 1 Reis 8,1-7.9-13
Salomão inaugura o Templo e a Arca da Aliança é colocada no Santo dos Santos. A nuvem manifesta a glória do Senhor, recordando que Deus habita no meio do seu povo e caminha com ele, antecipando o mistério da Encarnação.
Salmo Responsorial – Sl 131(132),6-7.8-10 (R. 8a)
O salmo celebra a presença fiel de Deus no seu santuário e expressa o desejo do povo de permanecer em comunhão com Ele.
Evangelho – Marcos 6,53-56
Jesus é reconhecido em Genesaré e multidões levam os doentes até Ele. Com fé simples e confiante, todos os que O tocam são curados, revelando uma salvação concreta que alcança a vida e o sofrimento humano.
Mensagem Central
Jesus é o verdadeiro Templo de Deus entre nós: quem O procura com fé encontra acolhimento, cura e vida nova.
Homilia
Irmãos e irmãs,
as leituras de hoje afirmam que Deus está no meio do seu povo. Não é um Deus distante, fechado num céu inacessível, mas um Deus que caminha, que se deixa encontrar e tocar, que vem ao nosso encontro, na história humana.
Na primeira leitura, vemos a alegria do povo de Israel ao acolher a Arca da Aliança no Templo. A nuvem que enche o santuário recorda o tempo do êxodo, quando Deus guiava o seu povo pelo deserto. O Templo torna-se o lugar da presença, da escuta e da adoração. Contudo, Deus não se deixa aprisionar por paredes: Ele acompanha o seu povo, inclusive no exílio, e prepara algo muito maior.
Esse “algo maior” realiza-se plenamente em Jesus. No Evangelho, não é mais a Arca que percorre os caminhos, mas o próprio Filho de Deus feito carne. Jesus é o verdadeiro Templo, a presença viva do Pai no meio da humanidade. Por isso, quando Ele chega a Genesaré, o povo reconhece intuitivamente: Deus está conosco.
A reação das multidões é comovente. Elas correm, procuram e trazem os doentes, não se escondem, não têm vergonha das próprias feridas. Basta-lhes tocar a franja do manto de Jesus. Essa fé simples, concreta e ousada é profundamente evangelizadora. Não se trata de uma fé abstrata ou teórica, mas de uma fé que confia, que se arrisca e que se aproxima.
Jesus não rejeita ninguém. Ele acolhe, toca e cura. Cura o corpo, mas também a alma ferida. Onde Jesus passa, a vida renasce, a esperança se reacende e a exclusão dá lugar à comunhão.
Este Evangelho é também um espelho da missão da Igreja. Assim como o povo levava os doentes até Jesus, somos chamados a levar até Ele os que sofrem hoje: os pobres, os doentes, os desanimados, os que perderam a fé, os que vivem à margem. A Igreja existe para ser espaço de encontro, onde Cristo continua a tocar e a curar através da Palavra, dos Sacramentos e da caridade vivida.
Aplicação Pastoral para a Vida
1. Reconhecer Jesus presente
Somos convidados a abrir os olhos da fé para reconhecer Jesus que passa hoje pela nossa vida, especialmente na Eucaristia, na Palavra e na comunidade.
2. Aproximar-se com confiança
Como o povo de Genesaré, levemos a Jesus as nossas feridas, fragilidades e limites, sem medo e sem vergonha, confiantes no seu amor misericordioso.
3. Ser Igreja que conduz a Cristo
A nossa missão é ajudar outros a encontrarem Jesus: com gestos de acolhimento, escuta, cuidado e compaixão, sobretudo junto dos mais frágeis.
4. Tocar e curar com a caridade
O toque de Jesus continua hoje através das nossas mãos, do nosso olhar, da nossa presença solidária. Cada gesto de amor torna visível a presença de Deus no mundo.
Que esta Palavra nos renove na fé e nos faça compreender que, onde Jesus está, a vida floresce, e que Ele continua a curar todos os que O procuram com um coração sincero. Amém.
