Reflexão do Pároco de 9/1/2026

Reflexão do Pároco. Reflexão do Pároco.

Tempo do Natal – Sexta-feira depois da Epifania
9 de Janeiro, 2026


Leituras do dia:
Primeira Leitura: 1Jo 5,5-13
São João afirma que a vitória do cristão sobre o mundo é a fé em Jesus Cristo, o Filho de Deus. Quem crê nele possui a vida eterna, dom garantido pelo testemunho concorde do Espírito, da água e do sangue. Essa vida nova nasce do Batismo, é confirmada na Cruz e permanece viva na Eucaristia. A fé verdadeira insere o crente numa comunhão real com Deus e o capacita a viver como seu filho.
Salmo Responsorial: Sl 147(147B)
“Glorifica o Senhor, Jerusalém.”
O salmo é um convite ao louvor: Deus fortalece o seu povo, cuida dos pequenos, sustenta os fracos e comunica sua Palavra. Quem confia no Senhor experimenta sua proteção e sua paz.
Evangelho: Lc 5,12-16
Jesus cura um leproso que se aproxima com fé e humildade: “Senhor, se queres, podes purificar-me.” Movido de compaixão, Jesus o toca, purifica e o envia ao sacerdote, reintegrando-o à comunidade. A cura revela a misericórdia de Deus, o poder purificador de Cristo e sua missão messiânica. Mesmo diante da fama, Jesus se retira para rezar, mostrando que a oração sustenta toda a sua missão.
Mensagem Central
Jesus Cristo, revelado na Epifania, é aquele que purifica, salva e dá a vida eterna. Pela fé, somos libertos da lepra do pecado, reintegrados na comunhão com Deus e chamados a viver sustentados pela oração e pelos sacramentos.


Homilia:
Irmãos e irmãs,
Neste Tempo do Natal, ainda iluminados pela Epifania, a Palavra de Deus nos recorda que a vitória sobre o mundo é a fé em Jesus Cristo, o Filho de Deus. Quem crê nele já possui a vida eterna, uma vida que nasce do Batismo, é alimentada pela Eucaristia e sustentada pela ação constante do Espírito Santo. Não se trata de uma ideia abstrata, mas de uma vida real, concreta, que vence o pecado, o medo e tudo aquilo que nos afasta de Deus.
O Evangelho nos apresenta o encontro com o leproso. Jesus cura um leproso e mando-o ao sacerdote para fazer a oferta pela purificação (cf. Lv 14) e para servir de testemunho a todos da sua presença messiânica no meio do povo. O judaísmo, de facto, considerava a cura da lepra um dos sinais d
a vinda do Messias (cf. Lc 7, 22).

Este homem carrega no corpo e na alma a marca da exclusão, mas se aproxima de Jesus com fé humilde: “Senhor, se queres, podes purificar-me”. Ele não exige, não impõe condições; confia. E Jesus responde com um gesto surpreendente: estende a mão, toca o impuro e diz: “Eu quero. Fica purificado”. O toque de Jesus não só cura o corpo, mas devolve dignidade, reintegra na comunidade e revela o rosto misericordioso de Deus.
Jesus veio para dar a vida e, quem acredita nele, tem a vida eterna (cf. v. 21). Esta vida eterna, que Jesus trouxe à humanidade é certa, porque Ele a ofereceu no começou da sua vida pública pelo baptismo («água») (cf. Jo 1, 31), e o fim da sua existência terrena pela morte na cruz («sangue») (cf. Jo 6, 51; 19, 34), e sempre atualizada na Eucaristia.

A lepra do Evangelho também nos fala das nossas lepras interiores: o pecado, o egoísmo, a dureza do coração, tudo aquilo que nos isola e nos rouba a alegria de filhos de Deus. Jesus continua hoje dizendo: Eu quero. Ele quer nos purificar, nos restaurar, nos devolver a vida plena. Basta que nos aproximemos com humildade e verdade.
Por fim, São Lucas nos mostra Jesus que, mesmo no meio do sucesso e da fama, retira-se para rezar. É da oração que nasce sua força e fidelidade à missão do Pai. Também nós somos chamados a unir fé, purificação do coração e vida de oração.
Peçamos hoje a graça de nos colocarmos aos pés do Senhor e dizer com confiança: “Senhor, se quiseres, podes me purificar”. E acolhamos com alegria a resposta de Jesus: Eu quero. Amém.