A Palavra do dia é um podcast diário que propõe leituras de acordo com o calendário litúrgico do Vaticano, acompanhadas por um comentário de um dos Papas mais recentes
Leitura do Dia
Leitura da Profecia de Ezequiel
34,1-11
A palavra do Senhor foi-me dirigida nestes termos:
“Filho do homem,
profetiza contra os pastores de Israel!
Profetiza, dizendo-lhes:
Assim fala o Senhor Deus aos pastores:
Ai dos pastores de Israel,
que se apascentam a si mesmos!
Não são os pastores que devem apascentar as ovelhas?
Vós vos alimentais com o seu leite,
vestis a sua lã e matais os animais gordos,
mas não apascentais as ovelhas.
Não fortalecestes a ovelha fraca,
não curastes a ovelha doente,
nem enfaixastes a ovelha ferida.
Não trouxestes de volta a ovelha extraviada,
não procurastes a ovelha perdida;
ao contrário, dominastes sobre elas com
dureza e brutalidade.
As ovelhas dispersaram-se por falta de pastor;
tornando-se presa de todos os animais selvagens,
Minhas ovelhas vaguearam sem rumo
por todos os montes e colinas elevadas.
Dispersaram-se minhas ovelhas
por toda a extensão do país,
e ninguém perguntou por elas,
nem as procurou.
Por isso, ó pastores, escutai a palavra do Senhor:
Eu juro por minha vida
– oráculo do Senhor Deus –
já que minhas ovelhas foram entregues à pilhagem
e se tornaram presa de todos os animais selvagens,
por falta de pastor;
e porque os meus pastores
não procuraram as minhas ovelhas,
mas apascentaram-se a si mesmos
e não as ovelhas,
por isso, ó pastores, escutai a palavra do Senhor!
Assim diz o Senhor Deus:
Aqui estou para enfrentar os pastores
e reclamar deles as minhas ovelhas.
Vou tirar-lhes o ofício de pastor,
e eles não mais poderão apascentar-se a si mesmos.
Vou libertar da boca deles as minhas ovelhas,
para não mais lhes servirem de alimento.
Assim diz o Senhor Deus:
Vede! Eu mesmo vou procurar minhas ovelhas
e tomar conta delas”.
Evangelho do Dia
Leitura do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus
20,1-16a
Naquele tempo,
disse Jesus aos seus discípulos esta parábola:
“O Reino dos Céus é como a história do patrão
que saiu de madrugada
para contratar trabalhadores para a sua vinha.
Combinou com os trabalhadores
uma moeda de prata por dia,
e os mandou para a vinha.
À nove horas da manhã, o patrão saiu de novo,
viu outros que estavam na praça, desocupados,
e lhes disse: ‘Ide também vós para a minha vinha!
E eu vos pagarei o que for justo’.
E eles foram.
O patrão saiu de novo ao meio-dia
e às três horas da tarde,
e fez a mesma coisa.
Saindo outra vez pelas cinco horas da tarde,
encontrou outros que estavam na praça, e lhes disse:
‘Por que estais aí o dia inteiro desocupados?’
Eles responderam:
‘Porque ninguém nos contratou’.
O patrão lhes disse:
‘Ide vós também para a minha vinha’.
Quando chegou a tarde,
o patrão disse ao administrador:
‘Chama os trabalhadores
e paga-lhes uma diária a todos,
começando pelos últimos até os primeiros!’
Vieram os que tinham sido contratados
às cinco da tarde
e cada um recebeu uma moeda de prata.
Em seguida vieram os que foram contratados primeiro,
e pensavam que iam receber mais.
Porém, cada um deles
também recebeu uma moeda de prata.
Ao receberem o pagamento,
começaram a resmungar contra o patrão:
‘Estes últimos trabalharam uma hora só,
e tu os igualaste a nós,
que suportamos o cansaço e o calor o dia inteiro’.
Então o patrão disse a um deles:
‘Amigo, eu não fui injusto contigo.
Não combinamos uma moeda de prata?
Toma o que é teu e volta para casa!
Eu quero dar a este que foi contratado por último
o mesmo que dei a ti.
Por acaso não tenho o direito de fazer o que quero
com aquilo que me pertence?
Ou estás com inveja, porque estou sendo bom?’
Assim, os últimos serão os primeiros,
e os primeiros serão os últimos”.
As palavras dos Papas
Trata-se de uma parábola que infunde esperança, porque nos diz que este dono sai várias vezes à procura de quem espera dar um sentido à sua vida. (…) Os trabalhadores que permaneceram na praça do mercado provavelmente tinham perdido toda a esperança. Aquele dia tinha sido em vão. E, no entanto, alguém ainda acreditou neles. (…) Eis que a originalidade deste dono se vê também no fim do dia, na hora do pagamento. (…) Para o dono da vinha, isto é, para Deus, é justo que cada um tenha o necessário para viver. Ele chamou pessoalmente os trabalhadores, conhece a sua dignidade e quer pagar-lhes com base nela. E dá a todos um denário. A história diz que os trabalhadores da primeira hora ficam desiludidos: não conseguem ver a beleza do gesto do dono, que não foi injusto, mas simplesmente generoso, não considerou apenas o mérito, mas também a necessidade. Deus quer dar a todos o seu Reino, ou seja, a vida plena, eterna e feliz. E é o que Jesus faz em relação a nós: não faz classificações, dá tudo de Si mesmo a quantos lhe abrem o coração! (Papa Leão XIV, Audiência Geral de 4 de junho de 2025)
