I Semana – Sábado – Tempo Comum – Anos Pares
17 de janeiro de 2026
Leituras do dia
Primeira Leitura: 1 Samuel 9,1-4.17-19; 10,1a
Deus escolhe Saúl e, por meio do profeta Samuel, unge-o como primeiro rei de Israel. A unção revela a iniciativa gratuita de Deus, que chama alguém simples e limitado para uma missão de serviço ao povo. Mesmo diante das fragilidades humanas, Deus conduz o seu projeto e permanece fiel às suas promessas.
Salmo Responsorial: Salmo 20 (21), 3.4-5.6-7
O salmo proclama a alegria e a gratidão pelo rei que confia em Deus. O Senhor concede vida, bênção e vitória àquele que coloca n’Ele a sua esperança, recordando que toda autoridade e sucesso vêm de Deus.
Evangelho: Marcos 2,13-17
Jesus chama Levi, um cobrador de impostos, considerado pecador e excluído pela sociedade religiosa. Ao sentar-se à mesa com ele e com outros pecadores, Jesus revela que a misericórdia de Deus não exclui ninguém. Ele afirma claramente: “Não vim chamar os justos, mas os pecadores”.
Mensagem central
Deus chama e unge para o serviço e, em Jesus, oferece a sua misericórdia a todos, especialmente aos que se sentem afastados ou excluídos.
Aplicação pastoral para a vida
Somos convidados a reconhecer que também nós fomos ungidos no Batismo para servir, não por mérito, mas por graça. À semelhança de Jesus, somos chamados a acolher, aproximar-nos e criar comunhão, fazendo das nossas comunidades espaços de misericórdia, onde ninguém se sinta indigno do amor de Deus.
Homilia:
Irmãos e irmãs, a Palavra de Deus deste sábado convida-nos a contemplar um Deus que chama, unge e acolhe, mesmo quando nós ainda estamos cheios de limites e fragilidades. Não é a perfeição humana que move o coração de Deus, mas a sua misericórdia gratuita e o seu desejo de salvar.
Na primeira leitura, vemos Saúl a ser escolhido e ungido rei de Israel. A unção é sinal de eleição e de missão, não de privilégio. Deus escolhe alguém simples, num contexto comum da vida, e confia-lhe uma responsabilidade a favor do povo. Isto recorda-nos que Deus age no quotidiano, nas situações aparentemente banais, e que o seu projeto não depende da nossa grandeza, mas da sua fidelidade. Saúl é chamado a servir, mesmo levando consigo as suas limitações. Assim também acontece connosco.
No Evangelho, Jesus dá mais um passo decisivo ao chamar Levi, um cobrador de impostos, alguém considerado pecador e excluído. Mais ainda, Jesus senta-se à mesa com os pecadores, gesto profundamente escandaloso para os fariseus. Com isso, Ele revela o verdadeiro rosto de Deus: um Pai que não afasta, mas aproxima; que não condena, mas cura. Jesus afirma claramente: “Não vim chamar os justos, mas os pecadores”. O maior perigo não é reconhecer-se pecador, mas considerar-se justo e não precisar de conversão.
Esta Palavra interpela-nos profundamente. Também nós fomos ungidos no Batismo, chamados não para julgar, mas para servir; não para excluir, mas para acolher. As nossas comunidades devem ser lugares de misericórdia, mesas abertas, onde os feridos da vida encontram escuta, dignidade e esperança. Peçamos ao Senhor um coração semelhante ao de Jesus, capaz de amar sem medidas, para que, através de nós, muitos descubram que Deus continua a chamar, a perdoar e a salvar.
