A Palavra do dia é um podcast diário que propõe leituras de acordo com o calendário litúrgico do Vaticano, acompanhadas por um comentário de um dos Papas mais recentes
Leitura do Dia
Leitura do Livro do Profeta Jeremias
28,1-17
Nesse mesmo ano,
no início do reinado de Sedecias, rei de Judá,
no quinto mês do quarto ano,
disse-me o profeta Ananias, filho de Azur,
profeta de Gabaon, na casa do Senhor
e na presença dos sacerdotes e de todo o povo:
“Isto diz o Senhor dos exércitos, Deus de Israel:
Quebrei o jugo do rei da Babilônia.
Ainda dois anos e eu farei reconduzir a este lugar
todos os vasos da casa do Senhor,
que Nabucodonosor, rei da Babilônia,
tirou deste lugar e transferiu para a Babilônia.
Também reconduzirei a este lugar Jeconias,
filho de Joaquim e rei de Judá,
juntamente com toda a massa de judeus
desterrados para Babilônia, diz o Senhor,
pois eu quebro o jugo do rei da Babilônia”.
Respondeu o profeta Jeremias ao profeta Ananias,
na presença dos sacerdotes e de todo o povo
que estava na casa do Senhor,
dizendo:
“Amém, assim permita o Senhor!
Realize ele as palavras que profetizaste,
trazendo de volta os vasos para a casa do Senhor
e todos os deportados da Babilônia para esta terra.
Ouve, porém, esta palavra
que eu digo aos teus ouvidos
e aos ouvidos de todo o povo:
Os profetas que existiram antigamente,
antes de mim e antes de ti,
profetizaram sobre guerras, aflições e peste
para muitos povos e reinos poderosos.
mas o profeta que profetiza paz,
esse somente será reconhecido como profeta,
que em verdade o Senhor enviou,
quando sua palavra for verificada”.
Então o profeta Ananias retirou o jugo
do pescoço do profeta Jeremias e quebrou-o;
e disse Ananias, na presença de todo o povo:
“Isto diz o Senhor:
Deste modo quebrarei o jugo de Nabucodonosor,
rei da Babilônia, dentro de dois anos,
livrando dele o pescoço de todos os povos”.
E foi-se pelo seu caminho o profeta Jeremias.
Depois que o profeta Ananias havia retirado
o jugo do pescoço do profeta Jeremias,
dirigiu-se novamente a palavra do Senhor a Jeremias:
“Vai dizer a Ananias:
Isto diz o Senhor:
Quebraste um jugo de madeira,
mas em seu lugar farás um de ferro.
Isto diz o Senhor dos exércitos,
Deus de Israel:
Pus um jugo de ferro
sobre o pescoço de todas estas nações,
para servirem a Nabucodonosor, rei de Babilônia,
e lhe serão de fato submissas;
além disso, dei-lhe também os animais do campo”.
Disse ainda o profeta Jeremias ao profeta Ananias:
“Ouve, Ananias, não foste enviado pelo Senhor,
e contudo fizeste este povo confiar em mentiras.
Isto diz o Senhor:
Eis que te farei partir desta terra;
morrerás este ano,
pois pregaste a infidelidade contra o Senhor”.
Naquele ano, no sétimo mês,
morreu o profeta Ananias.
Evangelho do Dia
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus
14,22-36
Depois que a multidão comera até saciar-se,
Jesus mandou que os discípulos entrassem na barca
e seguissem, à sua frente, para o outro lado do mar,
enquanto ele despediria as multidões.
Depois de despedi-las,
Jesus subiu ao monte, para orar a sós.
A noite chegou,
e Jesus continuava ali, sozinho.
A barca, porém, já longe da terra,
era agitada pelas ondas,
pois o vento era contrário.
Pelas três horas da manhã,
Jesus veio até os discípulos,
andando sobre o mar.
Quando os discípulos o avistaram,
andando sobre o mar,
ficaram apavorados, e disseram:
“É um fantasma”.
E gritaram de medo.
Jesus, porém, logo lhes disse:
“Coragem! Sou eu. Não tenhais medo!”
Então Pedro lhe disse:
“Senhor, se és tu, manda-me ir ao teu encontro,
caminhando sobre a água”.
E Jesus respondeu:
“Vem!”
Pedro desceu da barca
e começou a andar sobre a água, em direção a Jesus.
Mas, quando sentiu o vento, ficou com medo
e começando a afundar, gritou:
“Senhor, salva-me!”
Jesus logo estendeu a mão, segurou Pedro,
e lhe disse:
“Homem fraco na fé, por que duvidaste?”
Assim que subiram na barca,
o vento se acalmou.
Os que estavam na barca,
prostraram-se diante dele, dizendo:
“Verdadeiramente, tu és o Filho de Deus!”
Após a travessia desembarcaram em Genesaré.
Os habitantes daquele lugar, reconheceram Jesus
e espalharam a notícia por toda a região.
Então levaram a ele todos os doentes;
e pediam que pudessem, ao menos,
tocar a barra de sua veste.
E todos os que a tocaram, ficaram curados.
As palavras dos Papas
Santo Agostinho, imaginando que se dirigia ao apóstolo, comenta: o Senhor «humilhou-se e pegou-te pela mão. Unicamente com as tuas forças, não consegues levantar-te. Segura na mão daquele que desce até ti» (Enarr. in Ps. 95, 7: PL 36, 1233), e diz isto não apenas a Pedro, mas di-lo também a nós. Pedro caminha sobre as águas não pelas suas próprias força, mas pela graça divina, na qual crê, e quando se sente dominado pela dúvida, quando deixa de fixar o olhar em Jesus e tem medo do vento, quando não confia plenamente na palavra do Mestre, quer dizer que, interiormente, se está a afastar dele, e é então que corre o risco de afundar no mar da vida, e é assim também para nós: se olharmos unicamente para nós mesmos, tornamo-nos dependentes dos ventos e já não conseguimos atravessar as tempestades, as águas da vida. O grande pensador Romano Guardini escreve que o Senhor «está sempre próximo, dado que se encontra na raiz do nosso próprio ser. Todavia, temos que experimentar o nosso relacionamento com Deus entre os pólos da distância e da proximidade. Pela proximidade somos fortalecidos, pela distância, postos à prova» (Accettare se stessi, Brescia 1992, pág. 71). (Papa Bento XVI, Angelus de 7 de agosto de 2011)
