A Palavra do dia é um podcast diário que propõe leituras de acordo com o calendário litúrgico do Vaticano, acompanhadas por um comentário de um dos Papas mais recentes
Leitura do Dia
Leitura do Livro de Jó
9,1-12.14-16
Jó respondeu a seus amigos e disse:
“Sei muito bem que é assim:
como poderia o homem ser justo diante de Deus?
Se quisesse disputar com ele,
entre mil razões não haverá uma para rebatê-lo.
Ele é sábio de coração e poderoso em força;
quem poderia enfrentá-lo e ficar ileso?
Ele desloca as montanhas,
sem que elas percebam
e as derruba em sua cólera.
Ele abala a terra em suas bases
e suas colunas vacilam.
Ele manda ao sol que não brilhe
e guarda escondidas as estrelas.
Sozinho desdobra os céus,
e caminha sobre as ondas do mar.
Criou a Ursa e o Órion,
as Plêiades e as constelações do Sul.
Faz prodígios insondáveis,
maravilhas sem conta.
Se passa junto de mim, não o vejo,
e quando se afasta, não o percebo.
Se ele apanha uma presa, quem ousa impedi-lo?
Quem pode dizer-lhe: – ‘O que está fazendo?’
Quem sou eu para replicar-lhe,
e contra ele escolher meus argumentos?
Ainda que eu tivesse razão,
não poderia replicar,
e deveria pedir misericórdia ao meu juiz.
Se eu clamasse e ele me respondesse,
não creio que daria atenção à minha voz”.
Evangelho do Dia
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas
9,57-62
Naquele tempo,
enquanto Jesus e seus discípulos caminhavam,
alguém na estrada disse a Jesus:
“Eu te seguirei para onde quer que fores”.
Jesus lhe respondeu:
“As raposas têm tocas
e os pássaros têm ninhos;
mas o Filho do Homem
não tem onde repousar a cabeça”.
Jesus disse a outro:
“Segue-me”.
Este respondeu:
“Deixa-me primeiro ir enterrar meu pai”.
Jesus respondeu:
“Deixa que os mortos enterrem os seus mortos;
mas tu, vai anunciar o Reino de Deus”.
Um outro ainda lhe disse:
“Eu te seguirei, Senhor,
mas deixa-me primeiro
despedir-me dos meus familiares”.
Jesus, porém, respondeu-lhe:
“Quem põe a mão no arado e olha para trás,
não está apto para o Reino de Deus”.
As palavras dos Papas
O Evangelista apresenta-nos três personagens — poderíamos dizer três casos de vocação — que esclarecem o que é exigido daqueles que querem seguir Jesus até ao fundo, totalmente. O primeiro personagem promete-lhe: “Seguir-te-ei para onde quer que vás”. Generoso! Mas Jesus responde que o Filho do homem, contrariamente às raposas que têm as suas tocas e aos passarinhos que têm os seus ninhos, “não tem onde reclinar a cabeça”. (…) Assim Jesus nos indicou, a nós seus discípulos, que a nossa missão no mundo não pode ser estática, mas é itinerante. (…) O segundo que Jesus encontra, recebe diretamente d’Ele a chamada, mas responde: “Senhor, deixa-me ir primeiro enterrar o meu pai” (…) Todavia, Jesus responde: “Deixa que os mortos sepultem os seus mortos”. Com estas palavras, deliberadamente provocadoras, Ele tenciona afirmar o primado do seguimento e do anúncio do Reino de Deus, também sobre as realidades mais importantes, como a família. (…) Também o terceiro personagem quer seguir Jesus, mas com uma condição: fá-lo-á depois de se ter despedido dos parentes. Eis o que o Mestre lhe diz: “Aquele que põe a mão no arado e olha para trás não é apto para o Reino de Deus”. O seguimento de Jesus exclui arrependimentos e que se olhe para trás, mas exige a virtude da decisão. Jesus quer que sejamos apaixonados por Ele e pelo Evangelho. Uma paixão do coração que se traduz em gestos concretos de proximidade, vizinhança aos irmãos mais necessitados de acolhimento e cuidados. Precisamente como Ele mesmo viveu! (Papa Francisco, Angelus de 30 de junho de 2019)
